Na última sexta, 5 de março, fui à estreia do musical “O som da Motown”. Me surpreendi porque a peça era diferente do que eu havia imaginado. Na verdade, acho que não esperava nada de específico, mas ainda assim fui surpreendida pela qualidade do espetáculo. Sim, espetáculo, porque chamar de “peça”, de “musical”, seria um eufemismo frente ao que foi apresentado.
Meus pais – principalmente seu Valdir – são fãs desse tipo de música e cresci ouvindo artistas da Motown. Acabei gostando de muitas delas e, ás vezes, sabendo mais sobre as músicas e os artistas do que meus pais. Além disso, tenho uma ligação forte e inexplicável com música (tanto que farei uma tatuagem em breve com essa temática), o que com certeza influenciou minha percepção sobre o espetáculo.
“O som da Motown” mostra, por meio das vozes de cinco garotas pra lá de talentosas e cinco músicos, um apanhado do que a gravadora especializada em “música negra” proporcionou ao mundo musical – e à sociedade, por que não? – em 50 anos de existência. Digo “música negra” entre aspas, porque acredito que o tempo em que havia músicas próprias para determinados nichos da população ou etnias já acabou faz tempo, se é que um dia existiu. Hoje temos Eminem, que fez sucesso em um estilo musical predominantemente cantado por negros, os funks cariocas, que fazem as patricinhas descerem de seus apartamentos em Copacabana até o chão de mini saia, além, é claro, do Elvis Presley, que disseminou o rock’n roll, inicialmente tocado por negros.
O importante mesmo na música não é sua nacionalidade ou ritmo, é que ela te emocione de alguma forma. Isso não quer dizer se desmanchar de chorar, tá? Mas uma música legal tem a capacidade de mudar seu estado de espírito, seu humor, seu dia. Comigo é assim. E quando é boa mesmo, arrepia. Foi o que senti na interpretação incrível de Ben, do Michael Jackson. Isso não é um spoiler, porque só vendo e ouvindo para entender. A iluminação e o figurino também são ótimos e dão aquele toque especial nas 20 músicas apresentadas.
Custa R$ 60 nas sextas e R$ 70 aos sábados e domingos, mas vale o preço. Está em cartaz no Teatro das Artes, no shopping Eldorado, em São Paulo. Super recomendo.

Wê
